Diário da Fonte
CRIME DE ASSÉDIO NO G8

Nei Duclós
A cidadã brasileira de 16 anos ( menor de idade, portanto), que representava a juventude carente do Brasil, estava na reunião do G8 a convite da UNICEF. A foto que foi tirar junto aos chamados líderes dos países mais importantes do mundo era, para ela, de grande significado. Caprichou no visual e foi ocupar seu lugar para a fotografia. No movimento em que fez em direção ao seu posto, cruzou com o presidente Barak Obama, eleito depois de campanha cheia de esperança pelas minorias que enfim que chegavam à Casa Branca. O que aconteceu então diz tudo sobre esses espetáculos promovidos para abastecer a mídia de imagens sobre o poder – já que a sociedade do espetáculo vive disso, da reiteração dos papéis sociais, imutáveis.
Aconteceu algo que a própria mídia resolveu tratar como anedota, algo sem importância. Obama lançou um olhar sacana para o traseiro da brasileira (disse que estava olhando para os pés da garota; pé é outra coisa), seguido nesse gesto pelo presidente francês que, todos sabem, é casado com uma profissional da nudez. Como tem em casa o que as revistas escancaram, o gnomo francês acha que pode faltar com o respeito com quem quer que seja, principalmente se for mulher, menor, pobre, do Brasil. Obama e Sardosky são gentinha. Eles não exercem o poder. Exercem a manipulação do espetáculo e se divertem o tempo todo.
O poder está em outras mãos, em outro lugar. Eles apenas apresentam truques de um teatro de marionetes e para isso convocam o Lula, sempre pronto a oferecer seus préstimos, especialmente para o Obama, que agora faz dele moleque de recados para o Irã. Aconteceu algo parecido na época do Collor, em que o Clinton mandou o presidente brasileiro dar um recado para o presidente russo. Collor e Lula, os finalistas do segundo turno de 89, quando derrotaram Brizola, são gentinha do mesmo saco.
Somos representados por bobalhões lúbricos, palermas de esquina, os que ficam coçando o saco e jogando olhares para as mulheres que passam (Collor disse que tinha aquilo roxo, lembram?). Depois se olham significativamente, dando gargalhadas. Pois deve ser muito engraçado esse negócio de ser mulher, não é mesmo? O certo, o bom, é ser um bando de boludos a se roçar diante das câmaras, assediando uma pessoa que foi lá no G8 deslumbrada com a oportunidade de fazer algo importante, útil para sua geração e seu país. Jamais esteve na agenda servir de repasto para o tesão dos mangolões que ocupam palácios luxuosos.
O certo é que nenhum dos dois, Obama e Sardozky, teria coragem de fazer o mesmo gesto para as mulheres dos seus países. Obama porque levaria uma surra, tanto de Hillary quando da esposa dele. E o gnomo francês porque, apesar de estar bem servido de mulher disponível, vive num país com soberania e direitos humanos assegurados. O Brasil não tem nada, só oferece o triste papel de ser enxovalhado em público.Alguns jornalistas americanos deitaram e rolaram, acharam muito engraçado, claro, trata-se de um machão americano mostrando serviço no Exterior. Na Globo, a foto (tirada de um vídeo, uma cena inteira filmada) foi considerada um sucesso. Não se trata de um sucesso, mas de um escândalo. Mulher negra brasileira menor assediada por dois palhaços (o francês chegou a torcer o tronco todo para curtir melhor): se isso não é escândalo, então me conceituem o que é uma piada.
Não, não foi piada de mau gosto. Foi crime. Assédio puro e simples. Costumo dizer aqui no DF duas frases, confirmadas neste triste episódio. Uma, a de que no concerto internacional das nações, o Brasil entra com a mulher. E a outra é que o Brasil é o rabo do mundo. O rabo dos nossos governantes, bem dito.
De quebra, teve a presença do Berlusconi, fotografado recentemente pelado, numa orgia com prostitutas. Esse tipo de sacana vindo do poder que tem da mídia deveria ser tratado à altura. Nem falo em franco atirador, que fica escondido. Acho que chegou a hora de algo mais explícito. Como seria a filmagem, à luz do dia, de uma metralhadora varrendo as fuças dessa canalha?






















